Sono da razão

Sono da razão

Se eu pudesse acordá-lo, provavelmente perguntaria o que ele acha de tudo isso. Nada de questões difíceis, apenas o feijão com arroz. O de sempre, entende? Com verduras, carne e sobremesa. Pediria que me falasse sobre sonhos e sobre o contraste da realidade. Que me dissesse qualquer coisa de seu país, sua gente. Talvez ele até me contasse que um dia acharam um bilhete premiado, uma espécie de passaporte para o futuro (estilo Noruega, capisce?) e o rasgaram ao som de seu hino nacional. Eu daria corda, é claro. E ele, empolgado, vomitaria o resto, sem omitir seus próprios aplausos a quem o surripiou. Mas tudo isso, seja lá o que for, ele só diria se eu pudesse acordá-lo. Será que vale a pena a essa altura do campeonato?

Foto de Marcelo Morúa

Next Post:
Previous Post:
This article was written by

escritor e professor (Instituto Federal de São Paulo – Campus Salto).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *