O segundo turno e como estamos perdidos

O segundo turno e como estamos perdidos

Vou falar algumas obviedades acerca do período atual pós-primeiro turno.
O eleitorado paulista é conservador, todos sabem. Aliado a isso, devemos saber que uma parcela muito grande da população (não só paulista) se informa pela televisão e outros meios tradicionais. Existe um consenso entre muitos brasileiros que se baseiam nessa imprensa de que nunca o país esteve imerso em tanta corrupção, o que os faz voltarem-se contra o governo atual e seu partido, o PT.

Há alguns anos vivemos um processo de criminalização da política, e aqui junho de 2013 faz sentido devido a sua adesão crescente a partir do momento em que a imprensa aumentou o coro de “apoio”, com vistas políticas, talvez. Essa demonização seletiva atinge apenas alguns agentes políticos, a saber, o PT e um ou outro partido de esquerda.

Diante disso, parte do eleitorado se sente obrigado a “evitar que o PT ganhe” em várias partes do país, SP incluso. Muitas dessas pessoas não gostam da administração Alckmin no estado, mas consideram o tucano como o único que pode evitar que algum petista seja eleito.
Muitos dos paulistas que não querem o PT de forma alguma justificam sua posição dizendo que o governo petista sustenta sua base eleitoral por meio de bolsas, que supostamente incentivam a vagabundagem. Os números desmentem isso enfaticamente, mas o cinismo finge não compreender isso e também o sistema político como um todo envolvido com a corrupção e com o patrimonialismo desde que o Brasil é Brasil.
Essa forma cínica de análise se mostra evidente quando todos os candidatos mais bem colocados no pleito defendiam a continuidade da concessão dessas bolsas. Ora, se nenhum candidato vai cortar o bolsa família que “incentiva a preguiça”, como se explica a votação expressiva de, por exemplo, Aécio Neves no estado de São Paulo?

É preciso esclarecer aqui que nenhum eleitor é “burro”, como sugerem “análises” do primeiro turno, à esquerda e à direita, que diziam não entender como Alckmin tem tanta adesão no estado mesmo diante do sucateamento de universidades públicas, da falta de investimentos para evitar a falta d’água, etc., bem como outros ainda não compreendem a expressiva votação de Dilma no Nordeste, mesmo diante das diversas denúncias de corrupção e de uso da máquina pública para beneficiar o partido.

O eleitorado sabe, no fundo, que todos os partidos se envolvem com a corrupção ao chegar ao poder, que isso é sistêmico. Só precisamos de menos cinismo e passarmos a defender nossa preferência por privilégios, assumindo que estamos nos lixando para o outro que ainda precisa de um incentivo do Estado pra ter o mínimo.
Portanto, se queremos criticar a Dilma ou o PT, vamos fazer com o mínimo de embasamento, direcionando à política de utilização do tripé econômico ou a forma como se alia aos diversos espectros políticos, e não porque o governo “sustenta vagabundo”, por exemplo. Assim como as críticas ao Aécio e ao PSDB, que devem ser direcionadas, por exemplo, à construção de um aeroporto na fazenda de seu tio ou ao método utilizado por ele para calar jornalistas em MG, e não porque ele é “cheirador”.

Por Bruno Silveira, radialista e um dos idealizadores do Candeia

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Produtor e Editor. Radialista e um dos idealizadores do Candeia. Contato: bruno.silveira@candeia.jor.br

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