Imitando Magal

Imitando Magal

O país está em recessão e falta grana pra tudo, mas é noite de carnaval. Certamente há algo a mais quando a alegria tem hora e lugar marcados para acontecer. Ninguém antecipa as cinzas, nem muito menos as lágrimas que virão. E alguém chama por Magal: “Comigo!”, diz, e todos repetem um mundo de sensações. Estamos todos lá, quase todos. Enquanto ouvimos o “bate forte o tambor, que eu quero o tic tic tic tic tac”, logo ali aprovam a Lei dos sexagenários para que dancemos. Magal retoma, fazer de conta é parte do ritual. E quem, entre tantos, suspeitaria da dor latejante? Quando a alegria tem hora e lugar marcados, eu também represento, somos todos atores. Afinal, escrever deixou inclusive de ser ofício.

Foto de Marcelo Morúa

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escritor e professor (Instituto Federal de São Paulo – Campus Salto).

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