Coxinhas e mortadelas

Coxinhas e mortadelas

Há alguns anos o país se dividiu explicitamente entre coxinhas e mortadelas. Os primeiros, assim denominados pelos segundos, exigiram o impeachment da presidenta logo após as eleições de 2014. Os segundos, assim denominados pelos primeiros, defendiam a legalidade.

Acabou vencendo o primeiro grupo, o vice passou a governar e uma série de medidas vem sendo tomadas com o objetivo de “fazer o Brasil voltar a crescer”. Eis algumas delas: entrega do pré-sal aos interesses privados internacionais, vinte anos sem reajuste real dos investimentos públicos, terceirização e desregulamentação dos direitos trabalhistas, fim do reajuste do salário mínimo com ganhos reais, sucateamento do ensino público e fim dos investimentos em ciência e tecnologia (ciência sem fronteiras p.e.), destruição da previdência social, etc.

Em menos de um ano, direitos e avanços conquistados com muito esforço foram jogados no lixo e, junto com eles, a perspectiva de um futuro melhor para muita gente. Tudo sob os aplausos do grupo apelidado coxinha.

Caso a plateia continue a aplaudir, virá o dia em que serão retirados inclusive os temperos, a farinha de trigo, a batata e o frango. Pode ser que, quando esse dia chegar, não haja sequer mortadela. E todos, inclusive os que aplaudem, teremos que viver a pão e água.

Foto de Marcelo Morúa

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escritor e professor (Instituto Federal de São Paulo – Campus Salto).

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